04 julho 2015

Você não pode queimar pedras

Paula Yurkanis Bruice

Para se manterem vivos, desde cedo os seres humanos têm de ser capazes de distinguir entre dois tipos de materiais em seu mundo. “Você pode manter-se de raízes e grãos”, alguém deve ter dito, “mas você não pode viver na sujeira. Você pode ficar aquecido queimando galhos de árvore, mas você não pode queimar pedras.”

Por volta do século 18, os cientistas pensaram ter entendido a essência dessa diferença, e, em 1807, Jöns Jakob Berzelius [1779-1848] deu nome aos dois tipos de materiais. Acreditava-se que substâncias derivadas de organismos vivos continham uma força imensurável – a essência da vida. Estas foram denominadas ‘orgânicas’. Substâncias derivadas de minerais – e às quais faltava essa força vital – eram ‘inorgânicas’.

Como os químicos não podem criar vida no laboratório, presumiram que não podiam criar substâncias com força vital. Com esse pensamento, pode-se imaginar como os químicos ficaram surpresos em 1828, quando Friedrich Wöhler [1800-1882] produziu uréia – uma substância conhecidamente excretada pelos mamíferos – pelo aquecimento de cianato de amônio, mineral inorgânico.
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Pela primeira vez, uma substância ‘orgânica’ tinha sido obtida de algo diferente de um organismo vivo e certamente sem a ajuda de nenhum tipo de força vital. Evidentemente, os químicos precisavam de uma nova definição para ‘substâncias orgânicas’. Substâncias orgânicas foram assim definidas como substâncias que contêm átomos de carbono.
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Fonte: Bruice, P. Y. 2006. Química orgânica, vol. 1, 4ª edição. SP, Pearson.

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